segunda-feira, 4 de novembro de 2013

E se fossem seus filhos?

Respeitando a opinião do próximo, mas defendendo a minha... 

Um dia desses li no facebook, uma postagem com o título “E se fosse sua mãe?”, falando sobre o caso da médica que ASSASSINOU os dois jovens em Ondina. 

O texto não defendia a atuação da cidadã, mas o autor não concordava com a “execração pública” da médica, e para defender esta opinião o autor faz esta pergunta infame: “E se fosse sua mãe?” 

Eu respondo: Se fosse minha mãe, eu certamente estaria sofrendo muito com tudo isso. Se fosse minha mãe, eu perceberia o arrependimento dela (o mesmo que a médica está sentindo agora), e choraria com ela por esse erro maldito. Se fosse minha mãe eu também tentaria arrumar uma forma de justificar esta ação impensada e trágica. 

Mas eu acho engraçada essa indagação... “E se fosse sua mãe?” 

Vamos trocar a pergunta: “E se fossem seus filhos?” 

Devo direcionar a pergunta ao autor do post e a todos que concordaram com ele: E se fossem seus filhos? 

Eu acho muito engraçado... 

De repente, a médica passou de algoz a vítima? Como assim? 

Não estou aqui para dizer que ela é um ser do mal, a pior criatura existente na face da terra, mas também não posso tratá-la agora como alguém que se descontrolou, coitada, por ter se sentido pressionada pelo trânsito caótico atual... 

Julgamentos não cabem a mim, mas também não posso deixar de falar sobre esse post que em muito me indignou. 

“Ela nunca foi assim!”, “Ela é uma pessoa boa, ajudava os outros!”, dizem conhecidos, amigos, familiares... sim, ela não é assim, OK! Mas ela matou! Se descontrolou e matou dois jovens! 

“Ah, mas ninguém sabe o que eles falaram a ela!” 

É verdade! Ninguém sabe o que ele disse a ela no momento em que bateu no vidro do carro, mas não justifica ela se descontrolar a ponto de perseguir e derrubar dois jovens numa moto. 

Se partirmos para esse lenga lenga de “E se fosse sua mãe?”, então não haverá mais condenados no mundo...

Quantos assassinos, estupradores, ladrões têm filhos, pai, mãe? E aí? 

O cara estupra e mata uma criança, e você vai pensar: “E se fosse seu pai?” 

PELO AMOR DE DEUS! 

Desculpem aos que concordaram com o post, mas isso é hipocrisia! 

O motorista do ônibus em Lauro de Freitas, se descontrolou e jogou o ônibus contra um médico... o médico está até hoje no hospital... Não vi nenhum post perguntando “E se fosse seu Pai?” com relação ao motorista...  

Porque será que o motorista não teve direito a um texto como este?
Partindo do princípio usado pelo autor do texto, também não sabemos o que ocorreu, também não sabemos se o médico falou algo ao motorista... se o pressionou de alguma forma, e ele oprimido pelo mesmo trânsito caótico que oprimiu a médica, cometeu aquela barbaridade...

Não quero acreditar que essa diferença de julgamento seja pelo fato do homem ser apenas um motorista de ônibus, e a mulher ser uma médica... será que esse é o motivo? 

E o texto "E se fosse sua mãe?", foi escrito por um anônimo qualquer ou por algum conhecido da médica, na tentativa de diminuir o ato cometido?

Sejamos realistas! 

Ela não planejou matar os jovens, eu até acredito nisso, mas ela matou! 

Perseguiu e matou! 

A execração pública é algo natural, as pessoas se revoltam... ninguém vai se colocar no lugar dos filhos da médica, as pessoas naturalmente se colocam no lugar dos pais da vítima... 

Então não me venham com essa conversinha... 

Ela matou! 

Contra fatos não há argumentos!

E se fossem seus filhos?

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos homens, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." ( Rui Barbosa )