Falar sobre o Brasil é sempre contraditório...
Contraditório, porque ao mesmo tempo em que se pode falar de uma Terra linda, de riquezas infinitas e uma beleza natural que encanta os quatro cantos do mundo, pode-se também falar de miséria, corrupção e violência!
Desde junho de 2008, precisamente 24 de junho de 2008, tento falar sobre violência... e não consigo expressar exatamente o que ela tem feito com o Brasil... Falo de uma data específica, porque foi nessa data que a violência invadiu a minha vida, de forma brutal, do mesmo modo que já havia invadido a vida de milhões de brasileiros assustados e desprotegidos.
Nessa dia, enquanto trabalhava, meu irmão foi atingido por dois tiros, disparados por um marginal, já conhecido pela polícia. Ele foi preso e solto! E, sem direito a reclamação por parte da família da vítima... porque nós, a família, estamos marcados pelo bandido e sua gangue, que estão de olho no local de trabalho de meu irmão e na delegacia do bairro... é isso mesmo, na delegacia! A notícia ocupou jornais, programas policiais, mas toda essa exposição só serviu para amedrontar... e de nada resolveu o problema...
De lá para cá tenho observado mais atentamente as notícias sobre violência, a cada dia... notícias piores!
O que me irrita nisso tudo, é a facilidade com que as coisas são verbalmente resolvidas e resumidas: ou a polícia é sempre culpada ou o criminoso é vítima da sociedade. ISSO É UM ABSURDO!
É verdade que a miséria e a falta de educação impera no Brasil. Um país que nunca priorizou a educação, certamente sofrerá danos graves provenientes dessa falta de atenção por parte dos governantes para com o povo, mas daí a confundir caráter e personalidade com as faltas do governo já é demais! se assim fosse, todos os miseráveis do país seriam ladrões, assassinos e corruptos, e criaturas como Suzane Von Richtofen, Alexandre Nardoni, Ana Jatobá, Fernando Color, nascidos em berço de ouro, seriam pessoas de caráter indiscutível e, no entanto, assassinaram os pais, a filha, o povo...
É verdade também que temos uma polícia despreparada, desestruturada, mal paga (o que não justifica erros, inoperância, ineficiência e falta de caráter), em parte corrupta, e que cometeu muitos erros, na maioria graves... mas não é justo que todos os crimes que aconteçam sejam jogados nas costas da Polícia... A polícia já foi julgada até por prender criminosos de colarinho branco e os levarem algemados... Isso é inacreditável! Por serem ricos não podem sentir o peso de algemas nas mesmas mãos que roubam o dinheiro do povo?
Agora querem colocar toda a culpa pelo assassinato da menina Eloah na polícia. Na polícia? Porque? Eles fizeram o possível! O criminoso, e é bom não esquecer isso, é o Lindenberg, e não é por ser pobre, mas por ter uma conduta má mesmo. Ele matou e mataria mesmo sem a invasão da polícia. De repente, porque a polícia invadiu, ela carrega toda a culpa dessa morte e ele sai da história como um louco que fez toda essa maldade por amor? E se a polícia não invadisse e mesmo assim a menina fosse assassinada? De quem seria a culpa? Da polícia também?
Pelo amor de Deus!!!
Temos que acordar! Perceber os erros de cada lado da história.
Porque Direitos Humanos só para marginais?
O que é realmente defendido pelos Direitos Humanos?
Quem pode ser defendido por esses Direitos?
Cidadão de bem, que saem para trabalhar sem a certeza da volta, mães e pais que perdem seus filhos para o tráfico, mulheres estupradas por serem prostitutas, pessoas agredidas por não apresentarem os padrões ditados pela sociedade, crianças que morrem de fome, que são abandonadas em sacos de lixo ou os causadores de todas essas situações, seres que nada têm de humanos?
Porque o índio que foi queimado, a prostituta que foi espancada e o negro que foi humilhado não são defendidos ou protegidos por esse tal direito?
Quem, da ONU ou do Ministério da Justiça, com responsabilidade sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, pode me dizer isso?
Ana Guerreiro, 31 de outubro de 2008
A definição do que você é, Ana, me traduz com clareza o que acho e percebo em você. Sou seu fã.Como diria o rei, "você foi" uma grata surpresa este semestre. Antonio Lima
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